Archive for the 'Sugestões' Category

06
jul
09

Dica de Segunda – Status Quo

sugestesbrunohx6

Contemporâneos dos Beatles, banda estourou no final da década de 60

Contemporâneos dos Beatles, banda estourou no final da década de 60

O Status Quo surgiu numa época de ouro, junto com a banda que se tornaria a maior de todos os tempos, os Beatles. Foi em 1962 que se juntaram o guitarrista e vocalista Francisco Rossi, o baixista Alan Lancaster, o também guitarrista e vocalista Rick Parfitt e o baterista John Coghlan. A grosso modo, podemos dizer que eles fazem um hard rock simples, sem muitas pirotecnias ou floreios demasiados; no entanto, para os amantes da boa e velha música clássica, o Status Quo é uma ótima pedida… Do quarteto inicial, apenas dois continuam na ativa – Francisco Rossi e Rick Parfitt. Completam o grupo: John Edwards (Baixo e Vocal – desde 1985), Andy Bown (Teclado, Guitarra Rítmica e Vocal – desde 1973) e Matt Letley (Bateria – desde 2000).

Entre os destaques, ‘Dirty Water’ é uma das minhas preferidas

Aqui mais alguns dos clássicos do Status Quo

PLAY

Acompanhe as principais novidades do rock’n roll train também no twitter. Siga!

Anúncios
30
jun
09

The Gossip e o poder feminino

Há dez anos formado, mas super popular há não tanto tempo assim, o trio norte-americano Gossip é uma banda que tem a energia das pistas, a simplicidade do punk, a popularidade do hype e a atitude, ah, a atituuude de Beth Ditto. Como a mistura de uma Amy Winehouse com Preta Gil, conheça a vocalista do Gossip:

Lésbica declarada, não se depila nem usa desodorante, não tem vergonha de seu peso (e de mais nada, me arrisco a dizer), vive cuspindo xingamentos ao governo, que não aceita o casamento gay, às lojas de roupas, que dificilmente projetam peças para pequenas moças de 95 quilos como ela, afirma já ter comido esquilos no Arkansas e provocou reações (positivas, negativas, vai saber) ao posar para a capa da revista New Musical Express deste jeito aqui:

Beth não é gostosa feito Shirley Manson (Garbage), mas despontou na seleção das mais sexys do ano da NME, e ganhou o ouro pela mesma revista na lista das pessoas mais fantásticas do rock. Oh God, o mundo está perdido? Não! O mundo agora é dos feinhos e, pasmem, das mulheres!! Madonna está aí para substituir o posto de estrela mais polêmica-famosa-excepcional de todos os tempos, agora que Michael Jackson finalmente descansa em paz, e cada vez mais fenômenos femininos como Susan Boyle darão o ar de sua graça. Duvida?

Ouça Gossip aquiPLAY

Na realidade, não importa. No quesito musical, digo a você que Gossip é muito bom, seja para meninos ou meninas, feinhos ou gatões. Um ritmo frenético a la Arctic Monkeys é lembrado em guitarras cheias de energia, com toques de soul, um swing que provoca espasmos involuntários no corpo, e nas românticas (Coal to Diamonds e Are you That Somebody?) é possível notar que a dona da voz gritada e esganiçada também tem coração. Com certeza você já ouviu nas pistas mais moderninhas o hit “Standing in the Way of Control”. É contagiante. É inovador. É rock, meu bem.

 

Ouça também…

Mallu Magalhães – com seu leãozinho na capa, seus tchubarubas, sua voz de neném, o folk, o namoro com o barbudo, o banjo. Presencie o nascimento da menina no rock, sem aquele preconceito de quem não conseguiu fazer música a vida inteira e, no fundo, inveja o sucesso da pobre coitada. 
Definição: uma gracinha
Indicadas: You know you’ve got, Town of Rock’n Roll, Vanguart

 

Garbage – a banda que, no momento certo – e com o bateirista certo (Butch Vig produziu CDs de Smashing Pumpkins, U2 e… aquele tal de Neverminds, do Nirvana), resolveu misturar o grunge com o eletrônico para dar vida a temas como a sexualidade, as drogas, o amor, a paranóia. De letras pessoais com as quais a mulherada se identifica e muito, já arrebatou disco de platina e a participação de Dave Ghrol em “Bad Boyfriend” – precisa de mais alguma coisa para ocupar o topo dos hinos femininos?
Definição: garotos não prestam
Indicadas: Boys Wanna Fight, Cherry Lips, Why don’t you Come Over

 

Ladytron – o grupo tem duas vocais femininas e vestiu seu rock de electro, sua eletrônica de rock – sem vergonha. Eles também adoram o Brasil (o bateirista/tecladista/produtor da banda, Daniel Hunt, namora com uma brasileira e fez turnê abrindo os shows do Cansei de Ser Sexy), são o resultado da globalização em sua junção de dois ingleses com uma escocesa e uma búlgara, e tiveram seus hits empolgando desfiles de moda e comerciais da Levi’s. Definição: dance, dance, dance!
Indicadas: Destroy everything you touch, Playgirl, Sugar.

 

Pato Fua banda brasileira baseou seu nome na tirinha do Garfield, manteve seu visual esquisito intacto mesmo após o sucesso tão temido pelos fãs esquisitos (hit usado em novela global e topo das paradas na MTV). Mistura como ninguém a suavidade da voz de Fernanda Takai com experimentalismos futuristas e regressões ao tropicalismo (como no cover de “Ando meio Desligado”). Letras românticas e incompreendidas com um bom instrumental.
Definição: ah, me abraça, vai
Indicadas: Estudar pra quê?,  Uh uh uh La la la Yeah Yeah, Eu.


Ouça todas elas aqui 
PLAY

Acompanhe as principais novidades do rock’n roll train também no twitter. Siga!

28
jun
09

Tributo a Michael Jackson

É com grande pesar que dou adeus definitivamente ao maior ícone pop da história. Como grande fã de Michael Jackson que sou, só posso lamentar o falecimento da estrela, e agradecer o grande legado musical que deixou.

Quando grandes artistas da música deixam nosso mundo, é tradição a realização de um show em seu tributo – foi assim com nomes domo Freddy Mercury, Marvin Gaye e Raul Seixas. Portanto, como forma de homenagem, crio aqui um show fantasioso ao Rei do Pop, sugerindo artistas que poderiam interpretar sua voz. Segue a lista:

Alien Ant Farm – Smooth Criminal

A boa versão rock n’ roll do hit de Micheal Jackson poderia abrir o show. A banda colocou uma guitarra pesada no lugar da linha de baixo original da canção, agregando uma força bacana para a música. Uma boa pedida para abrir o show; levantaria o público presente.

Fall Out Boy, John Mayer e Eddie Van Halen – Beat It

Outra barbada do show seria a presença do Fall Out Boy tocando sua versão  pop rock de Beat It, que ficou interessante. John Mayer participou da gravação com um belo solo de guitarra. No show, Van Halen – compositor original do riff da música – poderia dar as caras em uma apresentação especial.

Olodum e Negra Li – They Don’t Really Care About Us

Porque não sonhar com uma participação brasileira no show? Os baianos do Olodum poderiam mostrar a potência de sua percussão, já exposta na versão original da música, mas dessa vez aliados à bela voz de Negra Li,  talvez hoje o grande nome da nossa black music.

Joss Stone, Jay-Z e Slash – Black or White

Para cantar Black e White, nada melhor que Joss Stone, a loirinha que tem a voz e o groove dos grandes artistas negros. Além dela, Jay-Z, na minha opinião o grande rapper da nossa geração, poderia cantar o rap original da música, ou até mesmo fazer alguns versos para a homenagem. Slash, que, na versão original, dedilha sua guitarra, também poderia dar as caras.

Diana Ross – Rock With You

Micheal Jackson declarou que Diana Ross era sua principal referência no mundo musical. Assim, a cantora jamais poderia faltar em um tributo ao Rei de Pop. Sua belíssima voz conseguiria passar todo o romantismo do hit de Micheal.

Janet Jackson – Don’t Stop ‘Till Get Enough

A irmã bem sucedida de Micheal não pode faltar em uma eventual homenagem ao ídolo. Talentosa, ela poderia arriscar cantar Don’t Stop ‘Till Get Enough, canção fácil de adaptar ao timbre de voz da cantora.

Steve Wonder – The Way You Make Me Feel

Nada mais justo do que um dos maiores nomes da história da black music cantar uma das mais deliciosas canções de Micheal Jackson. A emoção que Steve Wonder consegue passar quando canta seria perfeita para cantar a romântica canção.

Boyz II Men – Blame It On The Boogie

O grupo, que fez bastante sucesso no mundo da black music na década de 80, poderia usar todo o seu talrnto vocal para cantar o sucesso do grupo Jackson 5, matando as saudades dos fãs mais antigos de Micheal.

Ne-Yo – Wanna Be Starting Something

Outro cantor e produtor da nossa geração que tem influência direta de Micheal Jackson na sua música, suas danças e sua vestimenta. Ne-Yo poderia cantar Wanna Be Starting Something, que ficaria legal na sua voz.

Chris Brown – Bad

Para cantar Bad, do que Chris Brown, que, assim como Usher, tem clara influência de Micheal Jackson em sua música. O jovem cantor recentemente ganhou fama de Bad Boy após agredir sua namorada Rihanna, e caberia direitinho na proposta da música.

Usher – Billy Jean

Não podemos negar que a carreira musical de Usher é totalmente influencia da por Micheal; seu estilo, suas danças e até o modo de se vestir remetem ao Rei do Pop. Por isso, seria interessante vê-lo cantando e dançando Billy Jean, um dos maiores sucessos de sua referência.

Justin Timberlake – Thriller

Cantar o maior hit de Micheal Jackson seria um meio de Justin Timberlake assumir a responsabilidade de maior ícone pop da nossa geração. Talento para isso ele tem – não tanto quanto o Rei, que claramente influenciou sua carreira solo – mas ele me parece pronto para receber o fardo. Encerraria o show com chave de outo!

24
maio
09

trilha sonora das estradas

sugestesbrunohx6

Nada como uma bela música para embalar as longas horas de viagem

Nada como uma bela música para embalar as longas horas de viagem

Viajar, no sentido literal da palavra, é algo que é visto com bons olhos por grande parte das pessoas. Se pensarmos pelo lado saudável da coisa, também serve como refúgio para refrescar a mente do stress que passamos diariamente na correria da cidade grande.

Para os mais acalorados e efusivos, nada como uma bela tarde de sol na praia, embalada por uma boa cervejinha e papo descontraído com os amigos. Aos mais sossegados, que detestam calor e sentem nojo só de pensar naquela areia irritante grudando por todo o corpo, uma viajem ao campo ou a algum sítio afastado é sempre uma boa pedida, afinal, nada como passar um final de semana naquele friozinho ensolarado e gostoso de algumas cidades mais afastadas da muvuca dos grandes centros.

Tudo muito bom, tudo muito bem. No entanto, algo que sempre passa em branco na hora da viagem é pensar em pegar alguns CD’s que embalem o longo caminho pelas irregulares estradas brasileiras. Pensando nisso, o Rock n’ Roll Train faz uma pequena coletânia de sons altamente recomendados e que combinam perfeitamente com as paisagens que encontramos país afora. Boa viagem, no sentido literal ou figurado, caro leitor.

untitled

23
maio
09

A (não tão) recente juventude indie

Hoje resolvi me interar de tudo que estourou de bom na mídia já há algum tempo, mas que ouço por aí sem saber ao certo o que é. Tive algumas boas surpresas, que gostaria de dividir:

Músicas para embalar o texto:
untitled

O MGMT – sigla que abrevia “Management” – é formado pela dupla Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden, lançaram seu único CD em 2007, e vem sendo aclamado como a cereja do bolo pelos amantes da psicodelia. Com certeza você já ouviu “Time to pretend”, pois o hit bombou nas pistas de dança mais moderninhas por aí. Impossível negar o gosto dos garotos pelo movimento hippie, já que a música (deliciosa!) fala a respeito de viver intensamente e morrer jovem, no meio de muitas drogas, amor livre e espírito desapegado (veja a letra inteira). Era o que faltava para toda uma massa jovenzinha sedenta por música livremente virtual!

O problema é que, ao ouvir mais faixas, sentimos falta do ápice das canções, é tudo progressivo demais. Típica banda de início de balada, quando o objetivo é fazer a galera se mexer de leve, mas sem grandes empolgações. Os samples eletrônicos lembram de leve as maravilhas surgidas nos anos 80, mas não recomendo ouvir um CD inteiro do MGMT. Admito: escondidas entre músicas iguaizinhas do início ao fim, salvam-se faixas originais e de boa melodia, como “Pieces of what” e “Of Moons, Birds and Monsters” – esta última tem instrumentos viajantes que bebem da mesma fonte de Pink Floyd, com seus solos enormes cheios de agonia. Esperemos para ver. Quem sabe o próximo disco vem mais maduro e agradando a todos? Tudo indica que seja um duplo dividindo claramente a vertente pop da psicodelia doida dos Management, produzido pelo Chemical Brothers.

Os Black Kids, apesar do nome, tem apenas dois de seus integrantes negros: os irmãos Youngblood.

Em grau comparativo, prefiro o Black Kids. Também nasceram agora há pouco, em 2006, também soam novinhos e também cairam na graça dos interneteiros tendo um CD só. Mas estes tem um trunfo na manga: uma alegria melancólica a la The Cure, com uma voz esganiçada que soa como banda pra sempre adolescente, mas de qualidade incrivelmente adulta. A mais famosa deles é a dançante (e de título imenso) “I’m not gonna teach your boyfriend how to dance with you”, mas merecem destaque “Hit the Heartbreaks”, “I’m making eyes at you” e “Love me already” – todas românticas com backing femininos que lembram (muito!) Go Team!.

Agora, pra revolucionar MESMO, ouça Vampire Weekend. Como um passe de mágica, a banda nascida na faculdade mistura tambores africanos com flautas orientais e violinos, transformando ingredientes inconciliáveis em ska, música clássica, pop rock… A influência afro chega a nos convencer de que “Cape Cod Kwassa Kwassa” poderia intergrar facilmente a trilha sonora de Rei Leão. Para entender tanta mistureba, vale lembrar que o vocalista Ezra Koening já tocou saxofone em um grupo de jazz e em uma banda de afro-pop, além de ter formado com o baterista Cris Tomsom um grupo de rap. Seu experimentalismo já os tornou famosos, e “Cape Cod…” foi colocada na lista das 100 melhores músicas de 2007 pela revista Rolling Stone, mas, antes que o sr. Walt Disney se contorça em sua tumba, julgue você mesmo:

10
maio
09

O Dia das Mães

Neste domingo, filhos mais velhos param de dar beliscões nos irmãos mais novos, enquanto os mais novos deixam de lado o hábito de dedurar o primogênito, só para prestigiar quem lhe deu a vida. Aquela moça bonita que, conforme você foi crescendo, virou ‘senhora de respeito’, que te envergonhou na frente de várias pretendendes, mas segurou a sua mão quando você precisou. Para a surpresa de todos, o dia das mães não nasceu em uma conspiração das coorporações capitalistas, loucas para alimentar o consumo nos pobres seres humanos. A comemoração tem origem nos Estados Unidos, no início do século XX, quando uma jovem chamada Anna Jarvis, deprimida pela morte recente de sua mãe, deu início a um movimento que instituía uma data em que todos os filhos prestigiariam suas mães, vivas ou mortas. A homenagem foi decretada oficial depois de certa resistência, primeiro nos EUA, e em seguida no mundo, sendo comemorada em diferentes dias do calendário conforme o país.

Prefiro não catalogar as mães com padrões de presentes divididos conforme seu signo, como fez a astróloga Eunice Ferrari, do Portal Terra: para ela, a mãe de sagitário não manifesta amor e merece uma viagem a Katmandu – região no Nepal – enquanto para a mãe de áries, de temperamento forte, um bom presente seria uma espada de samurai (!?). Mas, sob o aspecto musical deste dia família, podemos destacar canções que embalaram feito trilha sonora os anos dourados de nossas progenitoras, e que seriam ótimos presentes para uma mulher que sempre gritou para você ‘abaixar esta porcaria que nem parece música’ – deixemos as porradas do rock de lado, para não ter erro.

Entrando no clima da catedral Anglicana de Liverpool, que resolveu ignorar o cunho antirreligioso das músicas dos Beatles e concordou em badalar seus sinos no ritmo de Imagine, um CD da banda “mais popular que Jesus Cristo” é uma boa pedida para aquela mãe emotiva, que chora até hoje nos especiais da TV que relembram o assassinato do vocalista John Lennon. Existem diversas coletâneas que reúnem os clássicos Let it be, Help!, Hey Jude – na qual dá para ouvir nitidamente alguém falando ‘pega o cavaquinho’… Vale até a biografia de mais de mil páginas sobre a banda, fruto de uma década de pesquisa e relatos reunidos por Bob Spitz.

Para a mãe bicho-grilo, paz e amor, de cabelão, vá a um brechó e combine algum acessório bastante colorido com o álbum manifesto do movimento tropicalista, chamado Tropicália – ou Panis at Circenses. O disco foi eleito pela revista Rolling Stone do Brasil como o segundo melhor álbum brasileiro de todos os tempos, e reúne sucessos da época de revolução cultural nas vozes de Gal Costa, Os Mutantes, Nara Leão, Tom Zé… Além de Caetano Veloso e o querido ministro Gilberto Gil, que encabeçaram sua produção.

Para a mãe romântica, Elis Regina em “Romaria”, Vinícius de Moraes com sua poesia intercalada em “Pra viver um grande amor”, o vozerão de Tim Maia em Gostava tanto de você”. Para a mãe clássica, a famosíssima “Nocturne” de Chopin, a última melodia composta em vida por Mozart, intitulada “Lacrimosa”, e a melancólica “Moonlight Sonata”, de Bethoven. Para a mãe moderna, talvez um I pod de última geração com as músicas do último CD de Bob Dylan, Together trough life, que levou o cantor ao topo das paradas após anos de distância. Ou o jazz delicioso da jovem Regina Spektor, misturando-se aos frutos da união entre Amarante e o baterista dos Strokes, que formou a banda Little Joy – ah, a tecnologia facilitadora das miscelâneas musicais!

Ouça tudo aqui:playlist

De qualquer forma, o que importa é a intenção: homenageá-las, sejam elas do rock, do pagode, do pop ou sertanejo, mas o mais importante – todas são maravilhosas MÃES!

E fica um belo videozinho:

02
maio
09

Ah, a virada cultural…

 

Em um aquecimento para o evento transcedental de 24h a partir do pôr-do-sol de atrações bacanérrimas – ou nem tanto – aqui vão alguns devaneios.

Em tempos de gripe suína, o povão mexicano abandonou o time querido para fugir das multidões dos estádios e vestiu sua máscara anti-microorganismos das forças do mal. Na Terra da Garoa, o paulistano inteligente e avançado encheu a caixinha de remédios com a poderosa Aspirina espanta-suíno, enquanto Belo Horizonte decretou estado de emergência por uns espirros que nem chegaram ao Estado – mas vão chegar, a qualquer momento!

 

Ah, o espreme-espreme...

E a virada cultural? E este evento inacreditável, que mistura as mais diferentes identidades, ocultas nas grandes massas, que cantam e suam e bebem e vibram juntas? Mais grudadinhas do que na Estação da Sé às seis horas da tarde, respirando o mesmo ar ameaçador e sem ter como correr na ocorrência de um ‘atchim!’? Pois bem, meu caro amigo, se você pretende evitar esta ótima oportunidade de se divertir muito por pouco $$ por puro hipocondrismo ocasionado por pandemia norteamericana, azar o seu. Porque todo mundo estará lá:

 

Para os desencanados que gostam daquele centro meio abandonado meio restaurado (mas tipicamente paulista), não ligam de presenciar homens alcoolizados com calças arreadas pelos cantos mau cheirosos – a prefeitura até tentou evitar as “esquininhas do xixi” aumentando o número de banheiros químicos, vamos ver – e curte aquele simpático tio (também alcoolizado) que oferece uma cerveja a R$3,00, duas por R$5,00:
Tem o rock do obceno Velhas Virgens, o alternativês do barbudo Marcelo Camelo, Vanguart e seu Semáforo, CPM 22 com sua legião de emos-que-não-se-dizem-emos, um remember daquele chato que SEMPRE grita pra tocar Raul… e muito mais, tudo em palcos relativamente próximos um do outro – relativamente, viu? Prepare as solas do seu All Star, Conga ou Nike Shocks.

 

Pra você, azarado, que recebeu uma visita da tia do interior, que aperta suas buchechas e conta que você fazia xixi na cama para as suas namoradas, há salvação:
Leve-a para o baile da saudade do palco brega no Largo do Arouche, e torça para que ela encontre um tio do terno dourado que dance Wando, Beto Barbosa e Reginaldo Rossi //pausa: quanto ao vídeo, o suprassumo atingido no Paint!// e, o mais importante – que tenha uma sobrinha na mesma situação que fuja com você para o Cine Dom José, na mostra de zumbis que com certeza a fará agarrar sua mão a noite inteira.

 

Os boyzinhos de gel no cabelo podem curtir um ‘puntz puntz’ ao lado de menininhas de óculos escuro que dançarão freneticamente entre o palco da 15 de Novembro, tocando eletrônica em geral, e o Largo São Francisco, especial pra quem curte as raves coloridas e psicodélicas regadas a psy trance.

 

Pras famílias unidas e felizes: levem os filhos pequenos e os adolescentes rebeldes, junto com a sogra, os priminhos remelentos, a avó que quase não ouve – o esquema de caixa de sons costuma ser eficiente, se aliado à aparelhos de surdez! -, o cachorro e o agregado fila-bóia para ouvir piano na Praça Dom José Gaspar, instrumentais variados na Conselheiro Crispiniano, assistir espetáculos de dança no Anhangabaú ou curtir a boa MPB de Maria Rita (como é a última atração de domingo do Palco São João, o povo pinguço do xixi já deve ter dispersado até lá!).

 

Para os malinhas que passam mal só ao pensar em multidões desorganizadas e têm medo de cair no empurra-empurra bem na hora que a pista se transformar em um bate-cabeça assassino, porque “foi isso que minha mamãe me disse antes de eu sair de casa”, existem alternativas:
Ótima oportunidade pra conhecer o belíssimo Theatro Municipal e os diversos centros culturais e museus da cidade, que promovem visitas monitoradas, saraus, feiras de livros, concertos, e por aí vai.  E para aquele amigo de óculos de massa meio introspectivo, que tem como ápice do sábado à noite assistir sozinho na sala escura dois documentários europeus de 4 horas cada, um em seguida do outro:
Cinemas famosos na cena cult escolheram a dedo uma programação que envolve o Festival Internacional de Curtas, o Festival do Minuto, a Mostra Internacional de Cinema, e o tradicional noitão do Belas Artes, que une comilância ao ritual cinematográfico por preço acessível (R$20,00 inteira, R$10 a meia).

 

Estas foram minhas dicas, mas consulte a programação e escolha você mesmo a sua maratona. O leque de opções é grande, e vale de tudo para aproveitar uma das poucas datas do ano em que o paulistano pode aproveitar de maneira saudável – eu espero! – a abundância de manifestações culturais, sem que haja o abismo social costumeiro, que nos divide por letras do alfabeto e cria barreiras contra a interação entre seres humanos que, no fundo, nascem e morrem iguais.