Arquivo para março \26\UTC 2009

26
mar
09

just a fest 3 – Enfim, Radiohead!


Miscelânea de sensações

Tal título não critica a qualidade das apresentações que antecederam o Radiohead no festival, de forma alguma. Digo ‘enfim’ Radiohead porque, após 21 anos de carreira desde a primeira formação, 7 CDs de estúdio e incontáveis boatos de uma vinda ao Brasil que não ocorrera, os fãs alucinados de Radiohead puderam se deliciar com mais de duas horas do melhor do indie atual.

York brada seus sentimentos durante espetáculo da banda inglesa, que reuniu 30 mil fanáticos em SP

Yorke brada seus sentimentos durante espetáculo da banda inglesa, que reuniu 30 mil fanáticos em SP

Ninguém tem dúvidas de que Radiohead é meio ame ou odeie: afinal, letras elaboradas e difíceis de acompanhar na voz do estranhíssimo Thom Yorke tendem a conquistar aqueles que tem, pelo menos, um pézinho no estilo de vida Creep. Porém, não precisa ser muito freak para admitir que o show ocorrido no último domingo, em São Paulo, entrou para a história. Primeiro porque, no país do samba e futebol, uma banda gringa que arranque da voz de 30 mil pessoas um único som, que não se relacione com axé nem micareta, merece reconhecimento. Depois, quem esteve lá sabe muito bem: a energia daqueles caras, que não só compõem e interpretam, mas acima de tudo mergulham na própria música, é capaz de deixar toda uma multidão em êxtase, catarse, e em profundo silêncio quase que ao mesmo tempo.

Festivais que misturam diferentes sons geralmente são marcados pela heterogeneidade do público – cada um está ali para ver uma atração em especial. Mas no dia 22, mesmo que nem todos fossem fanáticos com as letras na ponta da língua, percebíamos total imersão da grande massa no show, e uma sintonia com a banda fora do comum // é importante dizer que, pelo que sei, no Rio de Janeiro não foi assim; a Apoteose parecia vazia e em vários pontos da multidão haviam grupos de amigos batendo papo.// Sintonia esta de mão dupla, pois da mesma forma que o povão acompanhava o Radiohead lá no palco, Thom Yorke acompanhou o povão, quando este, após o término de Paranoid Android, voltou a cantar em coro o refrão. Sensação indescritível, ouve aí:

 

Popload – Lúcio Ribeiro
O link está no final do post, é só clicar em ‘abrir’ que carrega
rapidinho, e além do improviso de Paranoid, vem
Fake Plastic Trees ao vivo de brinde.

 

O clima de culto da apresentação foi tanto que quando vendedores furavam a multidão gritando ‘água, água!’ com seu isopor enorme encobrindo a visão, o povo que estava de pé há horas grudadinho naquele calor nem se interessava, e ainda praguejava ‘xius’ e ‘Cala a boca!’.


O set list

Foi levemente diferente do Rio, sim. Injusto? Talvez, por pura questão de gosto. Porém, na geração virtual onde tudo sabemos quase antes que aconteça, o público de São Paulo teve belas surpresas quando os primeiros acordes de Fake Plastic Trees foram arranhados, tendo conhecimento que esta ficou de fora da versão carioca. Ou quando os arranjos reformados de Talk Show Host – que fez parte da trilha sonora do Romeu e Julieta de 1996 – arrancou um ‘nooossa!’ dos saudosos fãs.

 

Em algum lugar do mundo na mesma turnê,
aí está a versão moderna, mais pesada e com alguns incrementos:

 

Por opinião particular, fizeram falta No surprises, Thinking about you e 2+2=5. Os ingleses se concentraram nas músicas do último álbum, In Rainbows, dando apoio a uma antiga declaração do baterista Phill Selway a respeito da turnê de lançamento do disco Pablo Honey: para ele, tocar músicas que a banda gravou há mais de dois anos era como estar “preso no tempo”.

De qualquer forma, a apresentação foi bastante democrática, contando com 26 músicas do melhor que Radiohead tem a oferecer. Para o espectador, sem dúvida nenhuma, foi desvendado um novo mundo, no qual “two and two always makes up five”.

 

Para quem não assistiu no Multishow a entrevista do
vocalista Thom Yorke e do guitarrista Ed O’Brien, é só clicar
aqui.

Nela, eles explicam como foi a escolha das luminárias do palco (que mudavam de cor ao longo do show, seguindo os tons do arco íris devido ao nome do último CD), comentam sobre a relação reservada com a imprensa e as frases em português incluidas aleatoriamente no meio da apresentação.

24
mar
09

Just a Fest 2 – Kraftwerk

resenhabrunovi2

Já era noite quando os músicos germânicos do Kraftwerk subiram no palco da Chácara do Jóquei com pontualidade londrina. Visivelmente pouco conhecidos pela maioria do público – que esperavam ansiosamente pelo show do Radiohead – o quarteto de Düsseldorf fez o que já era esperado, um espetáculo curto porém impactante.

Cheio de maneirismo eletrônicos, o Kratwerk fez boa apresentação (Flávio Florido/UOL)

Cheio de maneirismos eletrônicos, quarteto germânico se apresentou bem (Flávio Florido/UOL)

Pioneiros no que hoje em dia é conhecido como música techno e também de maneirismos tecnológicos com computadores, o Kraftwerk (Usina de energia em alemão), brindou o pouco empolgado público com clássicos como: Man Machine, Radioactivity, Tour de France, Trans Europe-Express e Autobahn.

O quarteto, formado atualmente por Half Hütter, Fritz Hilpert, Henning Schmitz e Stefan Pfaffe, evitou contato com o público, o que contribuiu para o pouco entusiasmo dos mais de 25 mil espectadores presentes naquele momento. No entanto, dois pontos altos marcaram o espetáculo; o primeiro, justamente quando a banda subiu ao palco com a já citada música Man Machine. O outro, quando robôs substituiram os quatro integrantes, que depois voltaram com roupas coloridas e futuristas.

Ao meu ver, como mero espectador do Just a Fest, o fato de colocar o Kraftwerk como segunda banda da noite foi um grande erro, já que, apesar do som competentíssimo, eles pouco mexeram com a platéia – que havia se enchido de entusiasmo após a apresentação dos cariocas do Los Hermanos. Desta maneira, a espera de pouco mais de 20 minutos até o início da apresentação do Radiohead foi tortuosa e cansativa. Mesmo assim, valeu a pena pela experiência de vivenciar um ícone da música eletrônica mundial e pelo alto teor crítico contido naquele misto de imagens e batidas.

No final das contas, foi gratificante e prazeroso passar horas no trânsito e nas filas gigantescas para contemplar o grande espetáculo da noite – o show do Radiohead, que será resenhado por Alessandra Marcondes aqui no Rock’n Roll Train.

Top 3 do Kraftwerk

1º Man Machine

2º Radioactivity

3º Tour de France

23
mar
09

Just a Fest 1 – Los Hermanos

resenhafilipeuw1Após anunciar o fim das atividades há quase dois anos, os cariocas do Los Hermanos abriram a noite de shows do festival Just a Fest que ainda iria contar com a presença dos alemães do Kraftwerk e do quinteto inglês do Radiohead; a grande atração do evento.

Nem por isso eles deixaram de marcar presença e deixar aquele “gostinho de quero mais” no ouvido dos fãs da banda. Com metais tocando lentamente de forma melancólica e refrão cativante, o conjunto abriu o show com Todo Carnaval Tem Seu Fim. Daí para frente, dedilharam as principais músicas dos dois últimos álbuns da banda – Ventura e 4. As canções que mais animaram o público foram Condicional e os hits O Vento e O Vencedor. Parece que os Hermanos negam as raízes e evitam tocar as primeiras canções que os colocaram em evidência, como Anna Júlia – melhor para o público.

Los Hermanos abre noite de shows em São Paulo

Los Hermanos abre noite de shows em São Paulo

Fato é que naquele momento eles estavam de volta. Extremamente à vontade, se deram ao luxo de cometer erros em algumas oportunidades e ensaiar dancinhas esquisitas no meio do palco durante o intervalo das músicas. A patléia interagiu bem com o conjunto, mas parte se mostrou impaciente com a apresentação na ansiedade de ver os próximos participantes do festival. O destaque negativo ficou por conta do som demasiadamente baixo para um evento daquela magnitude. Afinal de contas, eram cerca de 30 mil pessoas no gramado da Chácara do Jockey. De tempos em tempos, a conversa do lado ou a cantoria desafinada daquele amigo mala se sobrepunham à música dos cariocas.

Em momento algum Los Hermanos fez menção ao público de um retorno em definitivo aos palcos, mas a platéia parecia apenas preocupada em aproveitar aquele momento.

A banda optou por encerrar o show com a antiga A Flor levando os fãs de longa e curta data a pedirem mais. Quem sabe?

Set list:

Todo Carnaval tem seu fim
Primeiro andar
O vento
Além do que se vê
Condicional
Morena
Andar
A outra
Cara estranho
Deixa o verão
Assim será
Cher Antoine
O vencedor
Retrato pra Iá-Iá
Casa pré-fabricada
Último romance
Sentimental
A Flor

20
mar
09

Guitar Hero 4 consagra série de sucesso

resenha

O fã de música e de games teve, na série Guitar Hero, o início de uma nova era. Hoje, o jogo Rock Band surgiu como o principal rival do GH nesse universo. Nesses games, os jogadores têm a oportunidade de simular um show de música, e colocar pra fora, mesmo que sozinho no seu quarto, o desejo reprimido de ser um rockstar.

Seja no joystick, na guitarra própria para jogar o GH ou em qualquer outro instrumento feito para esse tipo de jogo, aqueles que tiveram a oportunidade de jogar as três primeiras edições do Guitar Hero acharam que nada poderia melhorar. Após se divertirem com os riffs de Carlos Santana, Guns n’ Roses, Iron Maiden, Rage Against the Machine, Poison, Foghat e Foo Fighters, entre outras grandes bandas de rock, os fãs da série viveram no Guitar Hero 4 o seu ponto alto.

Contando pela primeira vez com músicas de Jimmy Hendrix, o jogador terá a opção de destravar o lendário guitarrista e usar ele como personagem membro de sua banda. Estão disponíveis também Ozzy Osborune, Sting, Travis Barker, Zakk Wild, Ted Nuggent e Hayley Williams.

O jogo impressiona pela quantidade de músicas presentes e pela diversidade de estilos que ele comporta. O fã do bom e velho Rock clássico pode se divertir ao som de Van Halen, The Doors, Sex Pistols e do próprio Hendrix, entre outros. Aqueles que curtem um som mais moderno podem se deliciar “tocando” Foo Fighters, Paramore e Linkin Park. Os fãs de country music podem delirar com o clássico Sweet Home Alabama e com o som de Willie Nelson. Curte um som mais pesado? Metallica e Dream Theater estão aí. Não é fã de rock? Então, se divirta tocando Beat It, Santeria ou La Bamba.

Além de buscar agradar a todos os gostos, o jogo ainda dá a liberdade para você construir sua própria carreira; nas três primeiras versões, uma sequência pré-estabelecida de shows deveria ser respeitada. Difícil é conter a ansiedade para se divertir ao som de suas músicas preferidas!

De notícia ruim, fica uma desrespeitosa limitação: o GH4 roda apenas com os instrumentos, não podendo ser jogado com o controle normal. Assim, o fã da série terá que desembolsar algumas centenas de reais se quiser ter acesso à sequência da série. É verdade que, uma vez em posse da guitarrinha, a diversão até aumenta, mas o consumidor perde seu direito de opção.

Referências externas

Página oficial do Guitar Hero

Página sobre a série Guitar Hero na Wikipédia

Comunidade Guitar Hero Brasil – Oficial do Orkut

Página sobre o Guitar Hero IV na Wikipédia

Comunidade Guitar Hero 4 / IV World Tour no Orkut

Playlist

Coloque a lista abaixo para tocar e confira algumas das mais conhecidas músicas presentes no Guitar Hero 4:

 playlist

13
mar
09

Phoenix vira cantor de hip hop

notciafilipesy2Por incrível que possa parecer, o ator norte-americano nascido em Porto Rico, Joaquin Phoenix, 34, decidiu largar de vez as câmeras para se tornar músico de hip hop. A novidade começou a ganhar espaço na mídia quando o ator anunciou a mudança de foco artístico de sua carreira em outubro de 2008, quando ninguém o levou muito a sério. Mas o que mais surpreende é que não se trata de uma mudança, e sim, de uma completa guinada. E ele está convicto de que este é o seu futuro.

Phoenix com visual irreconhecível

Phoenix com visual irreconhecível

O último filme que contou com a sua participação é o drama “Two Lovers”, que ainda não tem data para estrear no país. A carreira de Phoenix é muito sólida e conta com diversos papéis de destaque em títulos de Hollywood como “Johnny and June”, no qual interpreta com uma atuação brilhante o mito do country Johnny Cash. Os especuladores das celebridades logo levantaram a bola de que o ator poderia utilizar Cash para forjar uma nova imagem para si. Alguns meses depois e Phoenix aparece com um visual mais do que largado acabando com os rumores sobre seu destino. Parece que não tem volta mesmo.

Mas ele não deixa de fazer sua própria publicidade ao conceder diversas entrevistas polêmicas a programas consagrados nos Estados Unidos. É o caso do David Letterman Show – uma espécie de Jô Soares norte-americano. Com o pavio curto e respostas monossilábicas, o ator se mostra um homem completamente diferente.

Na última semana, Phoenix voltou a ser destaque dos tablóides americanos ao encarnar o rapper brigão e promover uma confusão na noite de Miami. Na ocasião, o ator respondeu às vaias de um espectador desferindo socos pela platéia. Porém, ainda não se sabe até que ponto a briga foi verdadeira, uma vez que seu cunhado Casey Affleck, que está produzindo um documentário sobre Phoenix, filmou toda a cena.

10
mar
09

metallica e sua saga de antipatia

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Não é de hoje que os norte-americanos do Metallica esbanjam arrogância e antipatia. A banda, formada por James Hetfield (Vocal e Guitarra), Lars Ulrich (Bateria), Kirk Hammett (Guitarra) e Robert Trujillo (Baixo), sofreu um grande baque com a morte do baixista Cliff Burton – que faleceu quando o ônibus da banda deslizou em uma rodovia congelada na Suécia e tombou, em 1986.

Metallica no Hall da Fama do Rock'n Roll

Metallica no Hall da Fama do Rock'n Roll. Na ordem da esquerda para a direita: Ulrich, Hammett, Trujillo e Hetfield

A última do Metallica foi o cancelamento de um show que ocorreria na cidade de Estocolmo – ironicamente na Suécia. Segundo a Agência EFE, a assessoria de imprensa da banda afirmou que o vocalista, James Hetfield, teve uma série de problemas estomacais e preferiu cancelar o espetáculo. Desta maneira, os espectadores suecos, que eram mais de 16 mil, ficaram de mãos abanando – os integrantes da banda disseram que voltariam daqui alguns meses (Será?).

Para quem não se lembra, já não é a primeira vez que o quarteto americano faz esse tipo de coisa. Em 2003, o Metallica participava de uma turnê que incluia o Brasil. No entanto, esgotamento físico foi o motivo para o cancelamento de uma série de shows pela América do Sul. Apesar da empáfia e falta de respeito com o público, o Metallica ainda goza de prestígio pela qualidade das suas músicas.

Confira aqui no Rock’n Roll Train uma lista com as cinco mais da banda

1º One
2º Nothing Else Matters
3º The Unforgiven
4º Master Of Puppets
5º Fuel

09
mar
09

Simpsons também é música

resenhafilipeuw1

A aclamada série animada de televisão “The Simpsons” prima pelas piadas factuais e a presença de celebridades para se manter no topo da parada dos desenhos mais assistidos do mundo. Não é à toa: a 20ª temporada é transmitida no Brasil pela Fox com episódios inéditos aos domingos. E para fazer parte deste seleto grupo de artistas “cartunisados” pelo criador Matt Groening é preciso saber fazer música. O primeiro a estrear nas telinhas foi o cantor norte-americano Tony Bennett.

Green Day teve participação de gala no filme da série

Green Day teve participação de gala no filme da série

A mais recente aparição de destaque foram os punks do Green Day, que participaram do filme da franquia. Na ocasião, o grupo dedilha a própria versão da canção tema do seriado.

Também não poderiam passar em branco os Beatles Ringo Starr, George Harrison e Paul McCartney; cada um deles com aparições distintas. O primeiro a “vestir a pele amarela” foi o baterista britânico logo na segunda temporada. Na ocasião, Ringo aparece respondendo cartas de fãs, mas não tem nenhuma fala expressiva. O mesmo não pode se dizer de Harrison, que apesar da curta presença, desdenha da banda formada por Homer que toca no telhado do Bar do Moe ao soltar a simples frase: “Isso já foi feito antes…”. Por fim, Paul McCartney aparece na 7ª temporada (1999) ao lado de sua então esposa, Linda, no episódio em que Lisa Simpson decide se tornar vegetariana.

Elvis Costello, Tom Petty, Keith Richards, Homer Simpson, Mick Jagger, Lenny Kravitz e Brian Setzer

Elvis Costello, Tom Petty, Keith Richards, Homer Simpson, Mick Jagger, Lenny Kravitz e Brian Setzer

Em um dos dez melhores episódios de todos os tempos – eleitos pelo público – “How I spent my strummer vacation”, da 14ª temporada, Homer toma lições de como se tornar um rockeiro de verdade com ninguém mais e ninguém menos que os Rolling Stones. Também trabalham como funcionários da colônia de férias de Mick Jagger e Keith Richards os músicos Lenny Kravitz, Elvis Costello, Tom Petty e Brian Setzer ministrando aulas de como fugir de paparazzis e compor canções melosas. Um verdadeiro clássico.

Outras personalidades marcaram presença na série como o grupo pré-emo Blink-182, os precursores do indie rock Sonic Youth, os Smashing Pumpkins, os punks do Ramones, os irlandeses do U2, além do Aerosmith, o primeiro conjunto a aparecer por completo nos Simpsons.