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23
maio
09

A (não tão) recente juventude indie

Hoje resolvi me interar de tudo que estourou de bom na mídia já há algum tempo, mas que ouço por aí sem saber ao certo o que é. Tive algumas boas surpresas, que gostaria de dividir:

Músicas para embalar o texto:
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O MGMT – sigla que abrevia “Management” – é formado pela dupla Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden, lançaram seu único CD em 2007, e vem sendo aclamado como a cereja do bolo pelos amantes da psicodelia. Com certeza você já ouviu “Time to pretend”, pois o hit bombou nas pistas de dança mais moderninhas por aí. Impossível negar o gosto dos garotos pelo movimento hippie, já que a música (deliciosa!) fala a respeito de viver intensamente e morrer jovem, no meio de muitas drogas, amor livre e espírito desapegado (veja a letra inteira). Era o que faltava para toda uma massa jovenzinha sedenta por música livremente virtual!

O problema é que, ao ouvir mais faixas, sentimos falta do ápice das canções, é tudo progressivo demais. Típica banda de início de balada, quando o objetivo é fazer a galera se mexer de leve, mas sem grandes empolgações. Os samples eletrônicos lembram de leve as maravilhas surgidas nos anos 80, mas não recomendo ouvir um CD inteiro do MGMT. Admito: escondidas entre músicas iguaizinhas do início ao fim, salvam-se faixas originais e de boa melodia, como “Pieces of what” e “Of Moons, Birds and Monsters” – esta última tem instrumentos viajantes que bebem da mesma fonte de Pink Floyd, com seus solos enormes cheios de agonia. Esperemos para ver. Quem sabe o próximo disco vem mais maduro e agradando a todos? Tudo indica que seja um duplo dividindo claramente a vertente pop da psicodelia doida dos Management, produzido pelo Chemical Brothers.

Os Black Kids, apesar do nome, tem apenas dois de seus integrantes negros: os irmãos Youngblood.

Em grau comparativo, prefiro o Black Kids. Também nasceram agora há pouco, em 2006, também soam novinhos e também cairam na graça dos interneteiros tendo um CD só. Mas estes tem um trunfo na manga: uma alegria melancólica a la The Cure, com uma voz esganiçada que soa como banda pra sempre adolescente, mas de qualidade incrivelmente adulta. A mais famosa deles é a dançante (e de título imenso) “I’m not gonna teach your boyfriend how to dance with you”, mas merecem destaque “Hit the Heartbreaks”, “I’m making eyes at you” e “Love me already” – todas românticas com backing femininos que lembram (muito!) Go Team!.

Agora, pra revolucionar MESMO, ouça Vampire Weekend. Como um passe de mágica, a banda nascida na faculdade mistura tambores africanos com flautas orientais e violinos, transformando ingredientes inconciliáveis em ska, música clássica, pop rock… A influência afro chega a nos convencer de que “Cape Cod Kwassa Kwassa” poderia intergrar facilmente a trilha sonora de Rei Leão. Para entender tanta mistureba, vale lembrar que o vocalista Ezra Koening já tocou saxofone em um grupo de jazz e em uma banda de afro-pop, além de ter formado com o baterista Cris Tomsom um grupo de rap. Seu experimentalismo já os tornou famosos, e “Cape Cod…” foi colocada na lista das 100 melhores músicas de 2007 pela revista Rolling Stone, mas, antes que o sr. Walt Disney se contorça em sua tumba, julgue você mesmo:

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