Arquivo para abril \30\UTC 2009

30
abr
09

frescura? preciosismo? pedantismo? confira as extravagâncias do Oasis no Brasil

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Será que alguém já parou para pensar no que essas grandes estrelas – que vem pra cá fazer espetáculos para milhares de pessoas – exigem em seus camarins ou em torno de suas viagens? Pois é, pouca gente reflete sobre isso, mas o montante de coisas exigidas pelos rockstars é de fazer inveja a qualquer pobre mortal que mal pode pagar suas contas com o nosso glorioso salário mínimo.

Líderes em antipatia, Oasis (foto) pedem camarim recheado de coisas

Líderes em antipatia, Oasis (foto) pedem camarim recheado de coisas

Vou me limitar ao caso mais recente, que é dos britânicos do Oasis. Sem fazer qualquer tipo de juízo de valor, até porque se fosse partir para esse viés desceria a lenha na arrogância e prepotência da fraternidade Gallagher, apresento a lista de exigências da banda para os concertos aqui do Brasil – e olha que ainda faltam algumas que nem foram divulgadas. Para quem gosta de extravagâncias e dinheiro jogado fora, sobram coisas exóticas, para os conservadores, a repúdia é iminente.

É válido ressaltar que, ao meu ver, esse tipo de frescura (no português bem claro) é desnecessária. E isso isenta exclusividade crítica ao Oasis, já que a maioria dos conjuntos estrangeiros que pisam em solo brasileiro fazem pedidos absurdos e risíveis. Sendo assim, de quem é a culpa afinal? Talvez nossa mesma (grupo da qual me incluo). Pagamos uma grana fora da nossa realidade para prestigiar duas horas de show de pessoas que, no fundo, devem rir da nossa cara ao final do espetáculo; afinal, enquanto eles nadam no dinheiro e tomam champagne e vinho dos mais caros do mundo, nós sofremos pagando um preço astronômico no ingresso, no estacionamento e nos comes e bebes dentro da casa de show, ou super-hiper-mega arena musical distante da cidade – como nos casos dos recentes Planeta Terra e Just a Fest.

Há o que fazer? Acho difícil, já que é inviável se mobilizar em protestos diante dessas atrocidades cometidas contra nós mesmos. O ideal seria que ninguém comprasse os ingressos, mas sei que isso soa como utopia e devaneio. A realidade é que, enquanto houver gente disposta a pagar 100, 200, 300 ou até 600 reais para assistir essas bandas, os preços nunca chegarão a um patamar acessível à maioria das camadas da população. É provável que haja alguma outra solução, já que recentemente pudemos ver o concerto de um dos maiores ícones da música clássica mundial, o tenor italiano Andrea Bocelli, sem custo algum. Que seja impossível trazer músicos do cacife de Oasis a custo zero, mas que pelo menos haja bom senso na hora da venda dos ingressos; vivemos no Brasil, um dos países com maior desigualdade social no mundo e que ironicamente figura entre os líderes dos rankings de preços abusivos. Alguma coisa muito errada tem aí e deve ser mudada. Enquanto isso não ocorre, continuamos vendo esses artistas esbanjando egocentrismo e preciosismo exagerado nos palcos brasileiros.

29
abr
09

A graça e a ousadia de Yann Tiersen

 

 Sabe quando uma trilha sonora cai como luva sobre a história de um filme? Pois bem… no caso de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, a história é que caiu perfeitamente bem na música de Yann Tiersen. O diretor do filme, Jean-Pierre Jeuneut, ao escutar um CD do multi-instrumentista no carro de um amigo, resolveu conhecer mais de seu trabalho e, após encantamento inevitável, comprou os direitos autorais de grande parte de suas músicas. Assim nasceu a trilha sonora que dá vida à Amélie que conhecemos, composta apenas por músicas instrumentais, tipicamente francesas e melancólicas em sua maioria.

Dois anos depois, em 2003, foi a vez dos produtores de Adeus Lênin! descobrirem o acerto em usar o minimalismo de Tiersen como pano de fundo da queda do muro de Berlim e suas consequências, retratadas pelo longa.

Mas o que raios tem a ver tais filmes europeus e o tal do Tiersen com o Rock and roll train? Pois bem! Acontece que o francês, além de merecer seu espaço por aqui por ser um marco da música – com apenas 38 anos toca de maneira exemplar piano, violino e acordeão, possui 6 discos de estúdio e 3 ao vivo – também faz tentativas bem vindas ao mundo do rock. Seu último disco, On Tour, trouxe velhas conhecidas instrumentais, como La Valse D’Amélie, em versões totalmente reinventadas, substituindo o teclar calmo de um piano pelas distorções de guitarras viajantes. Duvida? É só comparar:

 


O vídeo foi gravado por alguém da platéia do show que Tiersen fez no
Sesc Vila Mariana, em São Paulo, nos dias 4 e 5 de abril de 2007.
Repare que o início da música é teclado no chão, em um piano de brinquedo! Inventivo?

 

Por questões de gosto, prefiro suas músicas clássicas e tradicionais, com arranjos elaborados que mesclam vários instrumentos em uma só canção. O compositor pródigo ainda é capaz de surpreender com suas incursões como cantor, que não deixam nada a desejar. Monochrome, que conta com sua voz, é sem dúvidas uma música que beira a perfeição quanto à melodia e aos arranjos, que elevam o emocional de quem ouve à décima potência. Merecem destaque também a dramática Summer 78 (da trilha de Adeus Lênin!, com Claire Pichet), a esperançosa J’y Suis Jamais Alle e a turbulenta Sur Le Fil (estas últimas de Amélie).

Para conhecer estas e outras canções, é só clicar:listen1

 

E para não deixar dúvidas da genialidade do músico, fica o vídeo de uma apresentação ao vivo na qual Yann Tiersen, tocando Rue des Cascades, tecla o piano com uma mão ao mesmo tempo em que maneja o acordeão com a outra.

 

27
abr
09

Dica de segunda – Wolfstone

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Alguém conhece a Escócia? Pois é, esse país europeu, que tem no Inglês seu idioma nativo e é pouquíssimo falado aqui no Brasil – menos pelos belos kilts e pelo famosíssimo wisky -, tem em sua música um aspecto interessante dentro de sua cultura. Fui um dia a uma palestra ministrada por um escocesa nativa, que apresentava justamente os aspectos culturais do seu país – como a própria música, topografia, comidas típicas e vestimentas.

Pouco conhecidos mundialmente, Wolfstone (foto) é recomendado pelo Rock N' Roll Train

Pouco conhecidos mundialmente, Wolfstone (foto) é recomendado pelo Rock N' Roll Train

Ao conversar com ela após o término da palestra, me interei um pouco mais sobre a música local. Uma das bandas que mais me despertou interesse foi uma chamada Wolfstone, que faz uma mistura muito interessante de rock and roll com ritmos escoceses. Após um ligeiro trabalho de pesquisa, descobri que o conjunto, que na verdade é um sexteto, nasceu em 1989 e é liderado pelo músico Duncan Chisholm.

Para quem gosta daquelas misturebas com ótimo resultado final, o Wolfstone é mais do que recomendado. Para os mais conservadores, vale dar uma conferida no trabalho dos escoceses – que é de extrema qualidade. Bom proveito, leitor.

Alguns hits do Wolfstone

Heart and Soul

The Battle

Flames and Hearts

The Piper and The Shrew

Brave Foot Soldiers

Tall Ships

Clueless

Gillies

26
abr
09

Videoclipes com animações

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Com o nascimento da MTV no início da década de 8o, o videoclipe se tornou uma boa forma de divulgação de novas bandas, álbuns e músicas. Trata-se de uma união do vídeo com o som, mas que, no fundo, o que conta mesmo é a criatividade do conjunto. Nesta hora, vale tudo. Alguns apelam para mulheres (em excelente forma) rebolando – não que eu reprima manifestações culturais desta natureza… Outros preferem trazer bons diretores e simplesmente deixar o trabalho a cargo deles. As variáveis são muitas. Porém, uma maneira de causar impacto de forma positiva é transformar o clipe em um desenho animado ou uma animação computadorizada, como tem ocorrido com uma freqüência cada vez maior. Vamos a alguns exemplos bem-sucedidos:

Do The Evolution – Pearl Jam

Uma verdadeira obra-prima videoclíptica. Mostra as principais passagens da evolução humana e dos pontos centrais da história moderna em apenas quatro minutos. O vídeo contou com a direção de Kevin Altieri (da série animada Batman), com a produção de Joe Pearson, e com os desenhos do cartunista canadense Todd McFarlane (dos quadrinhos Spawn e do clipe Freak On a Leash, do Korn). Isso sem contar os pitacos do vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder. Após um mês e meio desenvolvendo o chamado storyboard, e com a aprovação de todos os principais envolvidos no projeto, o material foi enviado a um estúdio situado na Coréia do Sul, onde cerca de cem desenhistas trabalharam por mais um mês até finalizar a animação. O clipe foi finalmente lançado em agosto de 98, conquistou diversos prêmios e foi muito bem recebido pela crítica. Nas palavras de Vedder: “como artistas, somos desafiados a expandir o significado de nosso trabalho. Utilizando efeitos visuais fomos capazes de ir mais longe e explorar alguns dos temas tratados em Do The Evolution”.

Detalhe interessante do clipe é a personagem “Morte” retratada por uma mulher vestida de preto que se mostra presente durante toda a evolução da humanidade gargalhando. Esse mesmo cartoon faz parte do quadrinho The Sandman. Outro item que vale a pena destacar é o exato momento em que Vedder canta “Buying stocks on the day of the crash” (no bom e velho português, “comprando ações no dia da quebra), aparece uma cena com investidores e homens de negócio cometendo suicídio; uma clara alusão à chamada Quinta-Feira Negra e ao Crash da Bolsa de Nova York, em 1929.

Coffee & Tv – Blur

O videoclipe da música Coffe & Tv, do Blur, foi ao ar em junho de 99. A direção é de Hammer & Tongs, pseudômino da dupla formada pelo diretor Garth Jennings e pelo produtor Nick Goldsmith. Juntos assinaram mais de 20 videoclipes de bandas consagradas como R.E.M., com Immitation Of Life e, mais recentemente, Radiohead com Jigsaw Falling Into Place. Porém, eles não se limitam a gravar videoclipes e também desenvolveram o longa Guia do Mochileiro das Galáxias. Bom, voltando ao Blur, o clipe mostra as aventuras de uma caixa de leite que sai à procura do desaparecido guitarrista da banda Graham Coxon. No meio do caminho, encontra diversas adversidades e chega a se apaixonar por uma caixa de iogurte de morango. Por fim, como todo bom herói, se sacrifica por um bem maior e cumpre sua missão.

Coffee & Tv conquistou o público e muitos prêmios pela qualidade e originalidade do vídeo. O personagem principal foi apelidado de Milky e chegou a aparecer em um episódio da série de televisão The Sopranos, da Warner.

23
abr
09

Dica da locadora – Click

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O que faz de Adam Sandler um sucesso? Talvez essa seja a pergunta que muitos se fazem após ver o ator emplacar sucessos atrás de sucessos nos cinemas. Sandler não é do tipo atraente, tampouco tem um corpo que seja alvo de cobiça pelas mulheres. Sem os ítens principais para triunfar na esteriotipada hollywood, o ator consegue seu público através de seu carisma inigualável – sem contar o talento para interpretar mocinhos em papéis como por exemplo o de Click.

Sandler em cena do filme: controle mágico também pode arruinar vida das pessoas

Sandler em cena do filme: controle mágico também pode arruinar vida das pessoas

Na trama, Michael Newman (personagem de Sandler), descobre um controle remoto universal, que o possibilita avançar e retroceder no tempo. Como o objetivo aqui não é resenhar sobre o filme, logo adianto que o mesmo é bom – talvez um dos melhores trabalhos da carreira do ator. O que estraga, no entanto, é o final preguiçoso, que tinha tudo para ser brilhante, mas acaba caindo na mediocridade das comédias blockbusters atuais.

Como não cabe a nós julgar a qualidade do longa, parto para a análise da parte musical – que cá entre nós é muito boa. Com sucessos de todos os tipos, do pop rock ao rock mais tradicional, Click sem dúvidas agrada a todos. A trama é embalada ora por Linger, do The Cranberries, ora por Come Out and Play, do Offspring e também por Someday, do The Strokes.

Para quem prefere uma comédia mais refinada, sem dramas exagerados e situações fora da nossa realidade, dificilmente gostará de Click. Mesmo assim, convido todos a assistir e apreciar ao menos a trilha sonora – que é de primeiríssima qualidade. Aliás, confira aqui a lista das músicas que integram o longa.

21
abr
09

Enquanto o novo Arctic Monkeys não sai…

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Anunciam o novo cd do Arctic Monkeys desde julho do ano passado, mas até agora os fãs ávidos por músicas novas dos eletrizantes britânicos ainda estão esperando – sentados. O jeito mesmo é procurar por canções e trabalhos alternativos da banda. É aí que entram na jogada os chamados singles. E olha que não são poucos. Vamos citar os principais:

album-brianstormBrianstorm: dizem as más línguas que este é o que mais se aproxima do novo disco, que deve ter uma pegada ainda mais agressiva do que em Whatever People Say I Am, That’s What I Am Not, de 2006, e Favourite Worst Nightmare, de 2007. Ao todo, são três faixas com destaque para What If You Were Right First Time e Temptation Greets You Like Your Naughty Friend, que – de quebra – conta com um trecho cantado em rap por Dizzie Rascal.

leave-before-the-lights-come-onLeave Before The Lights Come On: um dos trabalhos alternativos que merece mais atenção. Três excelentes canções, que poderiam estar nos cds oficiais com a maior facilidade; e por que não no próximo disco? Disco esse que, segundo informou o baterista Matt Helders, possui uma enorme influência do Queens of The Stone Age. Vale lembrar que a faixa que dá nome ao single ainda ganhou um videoclipe e é constantemente lembrada nos shows dos Monkeys:

when-the-sun-goes-downWhen The Sun Goes Down: segundo single lançado pelo grupo e contém a canção Settle For a Draw, que merece uma menção honrosa. Foi ao mercado exatamente uma semana antes do primeiro álbum da banda, que não possui nenhuma das três canções deste trabalho. Mostra o lado mais cru do conjunto, o que não deixa de ser algo interessante a se observar pelo contexto ao qual se inseriam à época. A capa mostra uma viela na pequena cidade de Sheffield, na Inglaterra.

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Teddy Picker: último EP lançado pelos britânicos no final do ano passado. Carrega o nome de uma faixa do segundo álbum do grupo e tem em seu curto repertório a poderosa Nettles, que foi tocada durante a passagem dos Monkeys pelo Brasil, no TIM Festival de 2007. Esta música é uma forte candidata a fazer parte do novo trabalho, que promete mais elementos psicodélicos e influências do R&B.

O grande problema destes singles é que não são lançados no Brasil. Na Inglaterra – por exemplo – são vendidos a preço de banana e alguns deles ainda ganham edições especiais em LP, como é o caso de Flourescent Adolescent, que tem a excelente Plastic Tramp. Quem estiver interessado em importar, precisa arcar com o alto preço, a demora e a disponibilidade.

Boa opção é curtir o projeto paralelo do vocalista Alex Turner que conta com o guitarrista Miles Kane. The Last Shaddow Puppets é outra banda muito elogiada pela crítica e já emplacou diversos hits nas paradas de sucesso. É o caso de The Age Of Understatement, que dá nome ao único disco da dupla.

Playlist para você que procura algo diferente do Arctic Monkeys:

playlist

20
abr
09

Dica de segunda – Sananda Maitreya

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Por incrível que pareça, conheci esse artista por outro nome; Terence Trent D’arby. Sua confusão de nomes é difícil de entender; ele nasceu Terence Trent Howard, incorporou o nome Darby da família do seu pai, adicionando uma apóstrofe, até que, após uma série de sonhos, ele resolveu adotar o nome que traz até hoje; Sananda Maitreya. A mudança se deu após alguns anos de carreira – ele chegou a lançar alguns CD’s com seus nomes antigos.

O cantor – que já fez alguns bicos como ator – é pouco conhecido entre a nossa geração. Com um biotipo curioso, o som que Sananda Maitreya produz é de animar ao mais conservador dos admiradores da boa black music, o que nos faz logo esquecer o estranhamento proveniente de uma primeira impressão para entrarmos no ritmo da batida e dos metais de sua banda.

Mesmo entre os fãs mais fervorosos do cantor – como minha querida mamãe, de quem aprendi a gostar de Sananda Maitreya – é difícil achar material sobre o cantor. Por isso, o Rock n’ Roll Train traz a seguir um pouco da carreira do artista, para que o leitor possa ter uma primeira impressão sobre ele:

Confira a seguir o clipe de Wishing Well, o único single de Sananda Maitreya a atingir o topo das paradas da Bilboard:

Confira abaixo os áudios de mais três dos mais contagiantes singles do artista:

Terence Trent D’Arby – Dance Little Sister

Terence Trent D’Arby – Holding On to You

Terence Trent D’Arby – Vibrator