Author Archive for Filipe Cury

13
mar
10

Aqueles que estão devendo

Alguns bons artistas andam devendo novos trabalhos, canções inéditas, inovações, enfim. Não vou mencionar aqueles que já partiram dessa para uma melhor, até porque seria um desaforo, mas tem gente que faz tempo que encostou o burrinho numa sombra e lá ficou.

Damien Rice – Último álbum de “novas” lançado em 2006 trouxe um trabalho consistente. O clima depressivo das músicas parece ter se intensificado com o passar do tempo. Além disso, fez uns bons shows quando esteve no Brasil, no início de 2009. Mas parou aí. Já tá na hora de acordar e compôr de novo.

Chico Buarque – Olha, não sei dizer quando foi a última vez em que fez um disco de inéditas, que nem nos bons tempos de ditadura militar (“bons tempos” não foi direcionado ao regime, e sim à inspiração do compositor). Ele que é disparado um dos melhores letristas brasileiros parece que perdeu o jeito com o fim da ebulição política brasileira das décadas de 60 a 80.

Los Hermanos e Foo Fighters – Resolvi colocá-los no mesmo parágrafo porque o chamado “chove e não molha” não engana mais ninguém. Ou as bandas terminaram de vez, ou ainda estão juntos. Esse papo de hiato para um possível retorno dentro de alguns anos não cola mais. Ambos estão devendo.

The Strokes – Faz uns bons anos que tenho ouvido histórias do tipo “eles já terminaram de compôr, agora vão começar a gravar. Pois é. Gravações bem longas. Mas vale uma menção honrosa para Fab Moretti e Julian Casablancas que desenvolveram bons projetos paralelos nesse período de vacas magras. Último álbum foi o First Impressions of Earth, também de 2006.

Menções honrosas: Dave Matthews Band, que ficou um bom período lançando apenas álbuns ao vivo (aliás, excelentes discos, mas enfim). Ben Harper, que mantém uma boa regularidade e a cada trabalho se supera e vai além. E, por fim, John Mayer. Há pouquíssimo tempo voltou a produzir um disco de inéditas. Devo confessar que ainda não o ouvi, mas assim que o fizer, venho postar as impressões.

11
mar
10

Dica da Locadora – Tudo Acontece em Elizabethtown

Direção de Cameron Crowe em um filme honesto. Principalmente no que tange à trilha sonora. Trata-se da história do engravatado Drew Baylor, interpretado por Orlando Bloom (Senhor dos Anéis e Piratas do Caribe) de forma convincente, que tem carreira profissional simplesmente devastada por um fracasso nas vendas de um tênis, cujo modelo foi desenvolvido durante meses de esforços. Ao ver sua obra encalhada nas prateleiras e ter de encarar um fiasco comercial, opta por dar fim a todo o seu sofrimento. Com a faca apontada para o peito, o telefone toca. Ele atende e descobre que seu pai faleceu. Lição do dia: Tudo sempre pode ficar pior.

Então, Drew embarca para a pacata cidade de Elizabethtown, no Kentucky, onde seu pai será sepultado. No caminho, conhece Claire Colburn, personagem de Kirsten Dunst (Homem-Aranha e Maria Antonieta), uma comissária de bordo por quem acaba se apaixonando. Pois é. Comédia romântica é assim mesmo. Por isso que o amor é bonito. O elenco ainda Trilha sonora boa para um filme apenas médioconta com algumas figurinhas carimbadas como Alec Baldwin, Susan Sarandon e Jessica Biel.

Mas o melhor de tudo mesmo é a trilha sonora. De primeira. Uma mistura de pop, instrumental, rock e folk. Os destaque ficam por conta do impagável Tom Petty com seus Heartbreakers, que emplacaram duas canções na película – Square One e It’ll All Work Out. Ainda é possível curtir um som mais tranquilo de Nancy Wilson, com 60b. Ou até mesmo a pegada texana de Let It Out (Let It All Hang Out), do The Hombres. Porém, o melhor de tudo é a excepcional My Father’s Gun, de Sir Elton John. Boa trilha para um filme apenas médio.

08
mar
10

Dica de Segunda – Jamie Cullum

Estou um pouco atrasado. Admito. Mas aqui vai: Jamie Cullum lançou ao final de 2009 o álbum The Pursuit. O quarto da carreira do compositor inglês. Essa última obra mostra um amadurecimento musical de Cullum. Ele está pendendo cada vez mais para o pop, mas é algo trabalhado e enraizado no bom e velho jazz.

Último disco mostra evolução musical

Aos poucos, Jamie Cullum se mostra um grande arranjador. Exemplo disso foi a nova roupagem que deu à canção Don’t Stop The Music, de Rihanna. Digamos que ele deixou a música bem passível de ser ouvida sem que se passe vergonha, ou tenha que se explicar para seus amigos.

Não foi a primeira vez em que ele fez isso. No disco Pointless Nostalgic, Cullum transformou High and Dry, do Radiohead. Como entusiasta do som de Thom Yorke e seus amigos, fiquei impressionado com o arranjo feito. Assim como também as versões de Wind Cries Mary, do Jimi Hendrix, e de Lover You Should’ve Come Over, do Jeff Buckley, em Twentysomething. Enfim.
Voltando ao The Pursuit, o característico jazz-pop feito pelo inglês ganha corpo nas excelentes Wheels e Music Is Through, que encerra de forma intensa o disco. Além delas, destacam-se You And Me Are Gone (mais baladinha) e I’m All Over It (o single do álbum). Ponto negativo fica por conta da óbvia Mixtape, que poderia abordar melhor a letra, que não é completamente desprezível. No todo, é um trabalho honesto. Vale a pena conferir.

28
ago
09

Pearl Jam com nova música no pedaço

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Pois é. Após um longo período de trégua a vocês, caros leitores, o RRT volta a toda com mais novidades, opiniões e dicas sobre o melhor (pelo menos o que nós achamos…) da música nacional e internacional – mais a segunda opção do que a primeira. Enfim.

Pearl Jam é uma das poucas bandas que consegue se manter no topo (não necessariamente das paradas). Desde o lançamento de Ten, no começo da última década, foram diversas obras-primas, uma atrás da outra. Até o último disco, de 2006, que carrega o nome da banda, conta com o ar político e crítico ao governo George W. Bush, nos EUA, traz diversas passagens um brilhantismo que só uma banda que sabe se reinventar pode fazer – sem, de maneira alguma, perder as raízes.

Mais uma vez poderemos conferir o trabalho do Pearl Jam, que será lançado até o fim de setembro. A primeira música, contudo, já foi disponibilizada para os entusiastas do quinteto de Seattle no MySpace. The Fixer está na web faz um tempo. Mais recentemente, na mesma página, a banda colocou à disposição dos fãs um vídeo documentário sobre as gravações de Backspacer no qual aparecem três canções do mesmo. Vamos ao que interessa: nessa semana, uma nova música caiu na rede – essa, intitulada Supersonic, assim como o vídeo de The Fixer em um momento de grandeza com os “grungeiros”. Vamos continuar aguardando o dia 21 de setembro.

23
jul
09

Dica da Locadora – O Escafandro e a Borboleta

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lescaphan1Uma história para refletirmos. Conta a trajetória de Jean-Dominique Bauby, um jornalista e escritor francês, que durante um bocado de anos foi editor da renomada revista Elle. Em um belo dia, ao passear de carro com seu filho, Jean-Do sofre um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e fica fisicamente paralisado. Pernas, braços, pescoço, boca, enfim, completamente imóvel. A não ser pelo olho esquerdo que se torna o seu único meio de comunicação. Sua mente, contudo, funciona perfeitamente.

Preso dentro deste escafandro em que se transformou seu corpo, ele aprende a “escrever” com a ajuda de uma ortofanista. Piscando uma vez para “sim”, e duas para “não”, as letras são soletradas enquanto ele fecha e abre o olho para ditar as palavras aos poucos. Dessa maneira, palavra por palavra, letra por letra, ele escreveu o livro “O Escafandro e a Borboleta”, que foi publicado apenas 10 dias antes de sua morte, em 1997.

Trata-se de uma história de superação que nos coloca para pensar sobre a vida e os problemas cotidianos, que muitas vezes supervalorizamos para – no fundo – valorizarmos a nós mesmos.

PLAYA trilha sonora também não deixa a desejar. O apelo pop do U2 contracena com o multiinstrumentista Tom Waits, o bom e velho Velvet Underground, além do piano clássico de Johan Sebastian Bach. Sem contar os inúmeros artistas da música francesa. Um filme belíssimo e imperdível. Mais uma dica do RRT para você.

02
jul
09

Dica da Locadora – Quase Famosos

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Banda fictícia Stillwater é uma junção de Led Zeppelin, The Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd.

Banda fictícia Stillwater é uma junção de Led Zeppelin, The Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd.

Mais um belo filme para juntar a galera e assistir sem medo de ser taxado de qualquer que seja o seu medo de ser taxado de alguma coisa. Pois é. Trata-se de uma viagem ao mundo do rock n’ roll dos anos 70 na pele de Willian, um garoto de apenas 15 anos que é contratado pela renomada revista jornalística/musical, Rolling Stone, para cobrir a turnê da banda Stillwater. A história é na verdade um retrato quase autobiográfico da vida do diretor e roteirista do filme Cameron Crowe (Vanilla Sky e Tudo Acontece Em Elizabeth Town), que também é um amante do estilo e cobriu uma turnê do Led Zeppelin para a revista.

Embalados ao som contagiante de Tiny Dancer, de Elton John, (som esse que preenche o vazio interior de qualquer ser humano), a banda, o púbere jornalista e as groupies viajam em um ônibus pelos Estados Unidos enfrentando algumas adversidades, mas vivendo intensamente cada minuto da turnê.

PLAYQuase Famosos possui uma trilha sonora fora de série com clássicos do rock como The Who, Yes, Lynyrd Skynyrd e o próprio Led Zeppelin. Fica a dica para aqueles que – como eu – acreditam que a música é a parte mais importante do filme.

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29
jun
09

Dica de Segunda – Pete Murray

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Para muita gente não se trata de uma novidade.  Ele despontou como diversos artistas de nossos tempos (com um clipe na MTV), mas ainda assim é pouco conhecido no Brasil. Se isso é bom ou ruim, não cabe a mim julgar.

Cantor possui um repertório de canções honestas

Cantor possui um repertório de canções honestas

Pete Murray é um cantor e compositor australiano que emplacou o primeiro lugar na parada de seu país com três discos diferentes, que compõem sua curta discografia. Contudo, está anos-luz de ser um artista que revolucionou a música ou rock and roll como conhecemos hoje. Apenas trata-se de um cara que toca violão, tem uma banda e tira um som claro, honesto e simplesmente bom.

Seu primeiro trabalho foi The Game (2002), um disco independente que o levou a assinar contrato com um grande gravadora. No ano seguinte, veio Feeler, que conta com diversas músicas de seu primeiro álbum como é o caso dos singles Bail Me Out e So Beautiful mostrando um lado mais cru do artista no começo de carreira, porém sem deixar a desejar – afinal de contas, complexidade não é sinônimo de qualidade no mundo da música. Aliás, por vezes ocorre justamente o contrário.

PLAYMurray explodiu para o cenário global com See The Sun, que data de 2005. Esse sim, revela uma aparência mais trabalhada com toques de metais em canções como George’s Helper e uma pegada mais rock em Trust. O single que deu destaque ao cantor foi Better Days, por coincidência ou não, o mais elaborado do disco.

O último álbum é Summer At Eureka (2008), esse sim, vendido no Brasil. Apesar ser um trabalho menos simples e conter boas músicas como You Pick Me Up e Saving Grace, deixou um pouco a desejar no conjunto da obra quando comparado aos demais trabalhos. Mesmo assim é uma ótima indicação do RRT para você, em qualquer ambiente ou momento de sua vida. Aproveite.