Posts Tagged ‘Trilha sonora

11
mar
10

Dica da Locadora – Tudo Acontece em Elizabethtown

Direção de Cameron Crowe em um filme honesto. Principalmente no que tange à trilha sonora. Trata-se da história do engravatado Drew Baylor, interpretado por Orlando Bloom (Senhor dos Anéis e Piratas do Caribe) de forma convincente, que tem carreira profissional simplesmente devastada por um fracasso nas vendas de um tênis, cujo modelo foi desenvolvido durante meses de esforços. Ao ver sua obra encalhada nas prateleiras e ter de encarar um fiasco comercial, opta por dar fim a todo o seu sofrimento. Com a faca apontada para o peito, o telefone toca. Ele atende e descobre que seu pai faleceu. Lição do dia: Tudo sempre pode ficar pior.

Então, Drew embarca para a pacata cidade de Elizabethtown, no Kentucky, onde seu pai será sepultado. No caminho, conhece Claire Colburn, personagem de Kirsten Dunst (Homem-Aranha e Maria Antonieta), uma comissária de bordo por quem acaba se apaixonando. Pois é. Comédia romântica é assim mesmo. Por isso que o amor é bonito. O elenco ainda Trilha sonora boa para um filme apenas médioconta com algumas figurinhas carimbadas como Alec Baldwin, Susan Sarandon e Jessica Biel.

Mas o melhor de tudo mesmo é a trilha sonora. De primeira. Uma mistura de pop, instrumental, rock e folk. Os destaque ficam por conta do impagável Tom Petty com seus Heartbreakers, que emplacaram duas canções na película – Square One e It’ll All Work Out. Ainda é possível curtir um som mais tranquilo de Nancy Wilson, com 60b. Ou até mesmo a pegada texana de Let It Out (Let It All Hang Out), do The Hombres. Porém, o melhor de tudo é a excepcional My Father’s Gun, de Sir Elton John. Boa trilha para um filme apenas médio.

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16
jul
09

dica da locadora – Moulin Rouge

Para aqueles que não curtem muito musicais, a dica:  deixe isso um pouco de lado quando falar de Moulin Rouge. Não indico que o assista, porque gosto é gosto, e tem gente que realmente sente raiva daquele povo feliz que desata a cantar do nada, com a aparição não anunciada de atores secundários que não tem sentido nenhum na trama a não ser por compor o coro musical. Que seja. Gostem ou não do gênero, há de se admitir que a trilha sonora do longa é magnífica, uma releitura de vários clássicos do pop e do rock em versão moderna que cai como uma luva no andamento do romance.

Lil' Kim, Pink, Mya e Cristina Aguilera fazem parte da trilha com "Lady Marmalade".

Em musicais, a trilha sonora deixa de ser mero complemento e se torna personagem principal. Sua letra compõe as falas dos atores, a melodia dá vida ao sentimento, e é ela que constrói a aura pretendida pelo diretor. Por isso, a maioria dos musicais tem canções compostas especialmente para a sua produção. Entretanto, o caminho escolhido por Craig Armstrong e Marius De Vries (responsáveis pela trilha) é muito mais cuidadoso:  reformar músicas já famosas entre o público e agregá-las à trama, sem que desviem a atenção do espectador, é trabalho de gênio.

Confira como ficou a versão de The Show Must Go On, original do Queen:

Você vai entender do que eu estou falando quando ouvir Roxanne, famoso hit do Police com mais de 30 anos de idade, em ritmo de tango vestido com a sensualidade de um cíume brutal. Ou quando vir a cena cômica do cafetão gordo vestindo véu e grinalda interpretando Like a Virgin (Madonna) junto do horrível duque.
Nicole Kidman canta Diamonds are a Girl’s Best Friend, que já esteve na voz de Marlyn Monroe em Gentleman Prefer Blondes, e o toque masculino fica por conta de Children of the Revolution, do Bono (U2). No meio de outras canções, há espaço até para trechos de Smells like Teen Spirit (Nirvana), We can be Heroes (David Bowie) e a famooosa “and I will always love you” (Whitney Houston). Mistura e tanto, não?

Moulin Rouge é acima de tudo, uma história (trágica) de amor. Altamente indicado para românticos, admiradores de história (o cabaret Moulin Rouge é um ponto turístico obrigatório para quem vai a Paris, e o personagem Toulouse-Latrec é um famoso pintor que viveu na época) e de reinvenções musicais. Cenas impecáveis de dança energizante só complementam a atuação harmoniosa de Nicole Kidman e Ewan McGregor, mas se o quesito é trilha sonora, não há como cogitar não ouvir.

Aí vai uma  amostra:PLAY

01
maio
09

Dica da locadora – especial Quentin Tarantino

Quem não conhece Quentin Tarantino? Em uma curta carreira como diretor, o também ator e roteirista conquistou papel notável na história do cinema por causa de sua participação marcante e original. Tarantino conquistou seu lugar na lista dos melhores filmes de todos os tempos divulgada pela Revista Empire com o segundo longa que dirigiu na vida. Seus filmes falam do submundo mesclando muito bem humor e violência (muita violência, diga-se de passagem!), têm narrativas não-lineares que foram conduzidas exemplarmente, e um tempero especial: a trilha sonora. Suas músicas merecem tanta atenção que, em 1996, um CD chamado Tarantino Connection foi lançado pela Universal, envolvendo a trilha sonora dos filmes que o cineasta escreveu e dirigiu até ali. Se é assim, dedico as próximas linhas às músicas que embalaram feito pluma cenas de ação e agressividade em sua melhor forma.

Obs: Clique nos ‘listens’ para acompanhar as tilhas sonoras ao longo do texto – fica mais fácil entender!

 

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Cães de Aluguel (1992)

 O primeiro experimento de Tarantino como diretor inovou em muitos quesitos. Modernizou não só as características cinematográficas que dariam corpo à revolução dos filmes independentes da década de 90, mas também a seleção de músicas que embalaria filmes sanguinários dali em diante.
Isso porque, na cena de tortura ao policial, por exemplo, graças à mente atormentada – que não é um defeito, fique claro! – do diretor, o clima chega a ser de comédia, de tão absurda que é a dancinha do torturador embalado pelo som da banda escocesa Stealers Wheel. Com toques de humor negro e uma linha quase invisível entre o violento e o cômico, a trilha sonora é a mais animada de seus filmes, contando com o primeiro hit de George Baker, “Little Green Bag”, e o agitado soul de Joe Tex. Merece destaque também o romantismo inocente de Sandy Rogers, que quebra o clima essencialmente black do apanhado.
Tarantino também optou por incluir diálogos do filme no CD da trilha sonora, seja ocupando faixas inteiras ou somente para introduzir as canções. Ele não foi o primeiro a realizar este feito, mas seguiu tal padrão em todas as suas obras.
Vale lembrar que a musicalidade está incluída na própria trama de Cães de Aluguel: no início do filme, acompanhamos uma discussão entre os criminosos sobre o significado da música Like a Virgin, de Madonna. Simplesmente cômico!

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Pulp Fiction (1994)

 Talvez pudesse entrar para a lista de trilhas mais gostosas de ouvir de todos os tempos, junto com o filme. Se não é a melhor, sem dúvidas é a mais famosa: por causa de Pulp Fiction que o nome de Dick Dale – o rei da surf guitar de quase 70 anos – se tornou conhecido mundialmente, com a música de abertura “Miserlou”.
A trilha mistura de tudo um pouco: a rapidez e o despojamento da surf music dá espaço para o gigante do rock Chuck Berry, que vem seguido pelo soul de Al Green, combinando com a bela “Lonesome Town”, de Ricky Nelson. Uma seleção leve e descontraída que tira o peso sanguinário das costas do longa.
Como pano de fundo dos encontros repletos de sensualidade de Uma Thurman e John Travolta (ou melhor, de Vincent com a mulher do chefe), há o quase hino “Girl, you’ll be a woman soon” {*PS: o vídeo está com uma dublagem bizarra, mas vale a intenção!). Só a chatinha “Jungle Boogie” que poderia ficar de fora, muito repetitiva. 
Com o CD unindo ainda alguns dos melhores diálogos do filme, com um time como Samuel L. Jackson, John Travolta, Uma Thurman e Bruce Willis, ao melhor que a música tem a oferecer, é para extasiar qualquer fã que se preze, seja ele de música ou de cinema.

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  Kill Bill (2003) e Kill Bill II (2004)

De tão grande que ficou a saga da noiva vingadora interpretada por Uma Thurman, Kill Bill foi dividido em dois. Assim, fomos abençoados com boa música cinematográfica em dobro. As duas trilhas soam como se viessem do túnel do tempo, mas isso se torna um fator positivo nas mãos de Tarantino, que já declarou que, desde as filmagens, já pensa minuciosamente nas músicas que se encaixariam em cada sequência com perfeição. As cenas ganham então identidade peculiar, se relacionando intimamente com as canções: basta ver a tradução de Bang Bang, interpretada por Nancy Sinatra, e comparar com a cena em que Bill quase mata sua noiva.
Quando comparada à trilha de Pulp Fiction, pode-se dizer que a de Kill Bill resgata temáticas famosas em seriados de TV e filmes antigos, sendo menos um apanhado de sons do gosto do diretor e mais uma trilha pensada cinematograficamente – talvez pela presença maciça de instrumentais.
“Battle without Honor or Humanty” traz ao trailler do filme o clima de máfia japonesa, enquanto o gigante Bernard Herrmann – que tem no currículo a música de nada menos que Psicose, Cidadão Kane e Moby Dick, entre outros – é resgatado com seu poderoso assobio que já virou até música dance-pop. As flautas orientais em “The Lonely Shepherd” trazem um clima meio hippie da praça da república, mas o clima é quebrado pelos raps de RZA, compostos especialmente para o primeiro longa.
Quando nos deparamos com a segunda trilha, que traz Johnny Cash, a cantora soul Shivaree e o italiano Ennio Morricone – que compôs a trilha de Os Intocáveis – não há dúvidas de que Kill Bill é uma obra prima em termos musicais.