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20
maio
09

Dinossauros do pop

 Alerta aos rockeiros de plantão: as boy bands estão de volta.

Depois de muita foto com roupa igual, gelzinho no cabelo e camisa engomadinha, as grandonas dos anos 90 entraram em crise; os Backstreet Boys engataram cada um sua carreira solo enquanto AJ abusava de substâncias não muito legais, no ‘N Sync o fenômeno Justin era areia demais para aquele bando de meninos feios no fundo da tela, e o Five não resistiu à doença grave de Sean (qual era ele mesmo?). Acontece que os ‘garotos da rua de trás’ gritaram ao mundo que “Backstreet is back, all right!”, deram um up na carreira com direito a visitinha ao Brasil, e não pense que as fãs das antigas deixaram os ídolos na mão. Agora, para as atuais adolescentes, não dá para não comentar a vinda quase simultânea de McFly e Jonas Brothers à terrinha.

Os boyzinhos não tão comportados do McFly.

Para quem não acompanha os queridinhos de cada semana lançados por novela, seriado, blockbuster, ou videoclipe superproduzido pela empresa do papai, um panorama: McFly é um quarteto inglês que já estourou ‘faz tempo’ (considerando o ritmo com que essas coisas acontecem hoje em dia), em 2004. O nome é baseado no personagem Marty McFly, do filme “De volta para o futuro”, e os garotos já fizeram show sem roupa, dançaram funk em programa de TV, e declararam para a Folhateen que o ritual de preparação para os shows é… fazer cocô (?!). Do outro lado da moeda, os Jonas são três irmãos dos Estados Unidos, filhos de pastor, que tem a castidade garantida por anéis de compromisso com Deus. Em um comentário meio sem noção, a moderninha Lady Gaga chamou os Brothers de ‘novos Beatles’, por causa da enorme euforia entre os (ou melhor, as) fãs. 

A pureza de Jonas Brothers é motivo de piada em episódio do desenho South Park.

Pois bem, os boyzinhos meio antagônicos se dizem do pop rock. Os irmãos Jonas já abriram turnê da sem sal Avril Lavigne e transformaram Kids in America, de Kim Wilde – que era ótima do jeito que estava – em Kids of the Future. Aliás, Joe, o irmão do meio, assumiu em uma atitude muito rock’n roll que só tomaria horas de fila para ver alguém como Paul McCartney, mas uma boyband nem pensar – que um raio parta a cabeça de cada fã que ajudou a esgotar seus ingressos, então. O McFly, por sua vez, de som mais autêntico – ou menos chatinho – já engatou covers de Freddie Mercury, The Who, Beatles, The Killers…

Ignorando as mini diferenças entre os dois grupos – por mais que os fãs ‘de verdade’ tenham sua preferência descarada por um só, quase que substituindo a rinha juvenil entre amantes de RBD e High School Musical – pode-se afirmar que tanto McFly quanto Jonas Brothers misturam em seus clipes o despojamento de Blink 182 e Green Day com letras melosas típicas de romances adolescentes. De qualquer forma, é inevitável notar que falta maturidade aos meninos de cabelo cuidadosamente desarrumado. Em tempos do emocore abundante, com suas letras romanticamente revoltadas, é difícil para o pop despontar com material de qualidade sem cair na mistura desenfreada de estilos visando a máxima audiência. Difícil é fazer como Justin Timberlake que, mesmo despontando  no Mickey Mouse Club, interpretando fantoche de supermercado com o refrão grudento de Bye Bye Bye, e namorando a catastrófica e polêmica Britney Spears conseguiu solidificar sua carreira através de canções originais e de qualidade.

Mesmo assim, vale a pena assistir aos clássicos das boy bands e se divertir em clima de Piores Clipes do Mundo com as expressões sérias dos integrantes, os cenários sem sentido, as roupas todas pretas ou todas brancas, as dancinhas coordenadas. Para lembrar com carinho:

 

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