Posts Tagged ‘David Bowie

16
jul
09

dica da locadora – Moulin Rouge

Para aqueles que não curtem muito musicais, a dica:  deixe isso um pouco de lado quando falar de Moulin Rouge. Não indico que o assista, porque gosto é gosto, e tem gente que realmente sente raiva daquele povo feliz que desata a cantar do nada, com a aparição não anunciada de atores secundários que não tem sentido nenhum na trama a não ser por compor o coro musical. Que seja. Gostem ou não do gênero, há de se admitir que a trilha sonora do longa é magnífica, uma releitura de vários clássicos do pop e do rock em versão moderna que cai como uma luva no andamento do romance.

Lil' Kim, Pink, Mya e Cristina Aguilera fazem parte da trilha com "Lady Marmalade".

Em musicais, a trilha sonora deixa de ser mero complemento e se torna personagem principal. Sua letra compõe as falas dos atores, a melodia dá vida ao sentimento, e é ela que constrói a aura pretendida pelo diretor. Por isso, a maioria dos musicais tem canções compostas especialmente para a sua produção. Entretanto, o caminho escolhido por Craig Armstrong e Marius De Vries (responsáveis pela trilha) é muito mais cuidadoso:  reformar músicas já famosas entre o público e agregá-las à trama, sem que desviem a atenção do espectador, é trabalho de gênio.

Confira como ficou a versão de The Show Must Go On, original do Queen:

Você vai entender do que eu estou falando quando ouvir Roxanne, famoso hit do Police com mais de 30 anos de idade, em ritmo de tango vestido com a sensualidade de um cíume brutal. Ou quando vir a cena cômica do cafetão gordo vestindo véu e grinalda interpretando Like a Virgin (Madonna) junto do horrível duque.
Nicole Kidman canta Diamonds are a Girl’s Best Friend, que já esteve na voz de Marlyn Monroe em Gentleman Prefer Blondes, e o toque masculino fica por conta de Children of the Revolution, do Bono (U2). No meio de outras canções, há espaço até para trechos de Smells like Teen Spirit (Nirvana), We can be Heroes (David Bowie) e a famooosa “and I will always love you” (Whitney Houston). Mistura e tanto, não?

Moulin Rouge é acima de tudo, uma história (trágica) de amor. Altamente indicado para românticos, admiradores de história (o cabaret Moulin Rouge é um ponto turístico obrigatório para quem vai a Paris, e o personagem Toulouse-Latrec é um famoso pintor que viveu na época) e de reinvenções musicais. Cenas impecáveis de dança energizante só complementam a atuação harmoniosa de Nicole Kidman e Ewan McGregor, mas se o quesito é trilha sonora, não há como cogitar não ouvir.

Aí vai uma  amostra:PLAY

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04
jun
09

dica da locadora – C.R.A.Z.Y – Loucos de Amor

Assisti ao filme C.R.A.Z.Y – Loucos de Amor há um bom tempo, pra ser exata, há uns anos atrás. Lançado no Canadá em 2005, o longa demorou para chegar no Brasil e, quando chegou, ficou pouquíssimo tempo em cartaz, sem grande divulgação. Até nas locadoras é difícil encontrá-lo. Mas, para quem aprecia a união bom filme+boa música, aconselho: peça a colaboração dos seus pais, da vovó, da vizinha e do agregado para juntar a fortuna cobrada para a locação em videolocadoras cults e assista CRAZY o mais rápido possível!!

Na ficha técnica do filme o nome de David Bowie figura como o responsável pela música. Você pode imaginar no que deu. A trilha sonora vira atriz coadjuvante, e se relaciona intimamente com a trama: a trajetória do protagonista Zac ao longo dos anos 60, 70 e 80 é brilhantemente pontuada por canções escolhidas a dedo. O country de Patsy Cline na companhia do rei Elvis Presley representam a década de 60, enquanto Pink Floyd faz jus à de 70 com Shine on You Crazy Diamond e The Great Gig in the Sky, e o desfecho, nos anos 80, se dá ao som de The Cure. Tem como melhorar?

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Os dramas de um adolescente que se descobre homossexual em uma família conservadora e cristã dão espaço a uma abordagem leve e bem humorada, que incorpora os sonhos e viagens de Zac pra dar um colorido psicodélico aos acontecimentos. A passagem seguinte resume bem o espírito do filme: os atritos com o pai são embalados por Pink Floyd e, logo em seguida, a imaginação fértil do menino rende a cena impagável de um coro de igreja cantando Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones.


PS: peço desculpa pelos diálogos dublados em espanhol…

A trilha também conta com o cantor francês meio brega – mas de passagem marcante no mundo cinematográfico – Charles Aznavour e com a magnificência de Jefferson Airplane. O próprio David Bowie encarna na pele de Zac – ou melhor, vice-e-versa – em uma interpretação doída de Space Oddity, com direito a cara pintada e tudo. Preste atenção na parede do quarto do menino, mostrada na mesma cena, e compare com a capa do famoso Dark Side of The Moon

Ainda resta alguma dúvida sobre a íntima relação estabelecida pelo longa com o rock de qualidade?

25
maio
09

dica de segunda – Placebo

Pode chamar de glam rock ou de indie, de gay ou esquisitão. Placebo é a banda que segue o que há de melhor no estilo deprê: sua originalidade é capaz de fisgar tanto o povo que se veste de preto naquele baita dia de sol, quanto os reles alternativex que estão a fim de sofrer aquela fase ‘ninguém me compreende’ com uma trilha sonora (muito) melhor do que o repertório emohistérico de garotos de chapinha no cabelo. A diferença talvez se faça perceber pela experiência dos integrantes na arte de sofrer; afinal, uma coisa é choramingar pelos problemas da adolescência, completamente diferente é ter mais de 30 anos nas costas e continuar fazendo música de qualidade sobre o mesmo-de-sempre do mundo do rock – drogas, sexo e bebedeiras.

O baterista novo Steve Forrest ao lado dos velhos intergantes Brian Molko e Stefan Olsdal.

O baterista novo Steve Forrest ao lado dos velhos intergantes Brian Molko e Stefan Olsdal.

Pois bem, para os já fãs de Placebo, um alerta: após intervalo de dois anos sem gravar, o novo CD lançado em futuro próximo se chama “Battle for the Sun”, para combinar com a atual fase positiva do grupo. Ãnh? Isso mesmo, em entrevista, o vocalista Brian Molko – viciado, andrógino, bissexual, filho de pai banqueiro que infernizou sua escolha pela faculdade de teatro – disse: “Nós fizemos um disco sobre escolher a vida, escolher viver, dar um passo além da escuridão e em direção à luz”. Como será possível Placebo, que carrega em sua voz e seus arranjos todas as dores que existem na humanidade, se metamorfosear para algo que soe positivo? Pois bem, a boa notícia é que não mudou TANTO assim… Em “For What It’s Worth”, as reclamações continuam:

No one cares when you’re down in the gutter/Got no friends, got no lover
{Ninguém se importa quanto você está na sarjeta/Não tenho amigos, não tenho amor}

A boa notícia é que a musicalidade da banda não decaiu após a saída de Steve Hewitt, que ocupava a bateria desde 1997, mas foi substituído por Steve Forrest em 2007 – ao que parece, Hewitt não estava pronto para entrar na etapa ‘rumo ao sol’ da banda. Pausa: o visual de Forrest combina muito mais com algum conjunto do tipo Blink 182. Destoa também de Molko e de Stefan Olsdal por sua idade: só 22 aninhos. Mas para aqueles que ainda não tiveram a sorte imensa de ouvir Placebo além da essencial “Every you Every me” – que embalou o filme Segundas Intenções – indico o seguinte repertório:

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Obs: “Without you I’m nothing” conta com a participação de David Bowie. A banda abriu diversos shows do cantor, símbolo do glam rock, e foi convidada por ele para o show/festa em comemoração aos seus 50 anos.
A voz feminina em “Meds” é de Alison “VV” Mosshart, da banda The Kills.
“I feel you” é originalmente do Depeche Mode; a versão do Placebo deu ar sexy e contagiante para a música da década de 80.
“Protège Moi” é a versão francesa da música “Protect me from what I want”; o vocalista Brian Molko é fluente em francês.




outubro 2018
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